Morrer de inanição cultural Revista digital www.padresycolegios.com

Fala do potencial artístico do público da primeira infância.

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Madri 5 de março de 2010

Original para PADRES 0-3

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Morrer de inanição cultural

Carlos Laredo, de La casa incierta

Diariamente recebemos, em nossas peças teatrais, pais com crianças de 0 a 3 anos que nos mostram sua visão mais ou menos profunda sobre a primeira infância. Trata-se de um espaço de observação social e pública singular, onde se põe de manifesto uma enorme quantidade de informação sobre como os pais com seus filhos de 0 a 3 anos se relacionam. Hoje em dia, a Cultura segue estando enormemente vetada às crianças recém nascidas e por extensão a seus pais. Durante esses três anos, os pais não encontram atividades destinadas especificamente à relação intensa que mantêm com seus filhos, atividades destinadas a cultivar essa relação única, maravilhosa e irrepetível.

Ao longo destes últimos 10 anos, observamos o enorme potencial destas experiências cênicas para o desenvolvimento não só dos bebês, mas também dos adultos que os acompanham em silêncio. Iniciar-se na arte do Teatro através do encontro entre diferentes gerações permite entrar na Cultura de outro modo. Deixamos de um lado o passa-tempo, o entre-tenimento (que é como não TER nada), o matar o tempo, para entrar de cheio no cultivo das sementes do tempo.

De uma forma muito estereotipada e muito distanciada de toda exploração científica, chegamos a acreditar que os recém nascidos são uma tábula rasa, que não sabem de nada, que não são capazes de expressar o que lhes ocorre, com os que só nos podemos comunicar através de um magma sensorial abstrato. Vemos a primeira infância como uma etapa, onde o ser humano está completamente deficiente para qualquer experiência, incluída a experiência artística. Nossa frustração, por não entender o que nos querem comunicar, levou-nos a chamá-lo infantes: os que não têm o uso da palavra.

Entretanto, nossa experiência nos demonstrou todo o contrário, que os bebês nascem como espectadores que possuem o tesouro de todo o potencial da humanidade, toda a riqueza sensitiva, emocional, e intelectual, porque na realidade não são os “pequenos” da casa, e sim os mais avançados, os mais velhos, já que têm um cruzamento genético a mais que seus pais. Suas estruturas herdadas arquetípicas lhes permitem entrar plenamente no símbolo, no mito e na poética. Sua tremenda velocidade de desenvolvimento neuronal lhes abre sem dificuldade as portas para criar novas sinapses, explorar novas áreas do cérebro, em tudo o relacionado com o desconhecido. São capazes de se aventurar como exploradores, e viver sem travas nem medos tudo aquilo que é novo ou que não são capazes de entender. À medida que fomos depreciando os seres humanos quando nascem, e criando modelos de filhos para que sejam o mais parecidos a seus pais, fomos bloqueando o potencial com que nascemos. Chegamos a acreditar que a razão pode tudo, e que tudo o que escapa ao entendimento e à nossa capacidade de consciência, ou não forma parte da realidade ou, por nos resultar ilegível, não existe. Por esse caminho, encontramos adultos moribundos por inanição cultural, incapazes de se expressar emocionalmente, sensitivamente ou incapazes de disparar seus neurônios a lugares desconhecidos. Os recém nascidos têm – entre outras muitas coisas- a responsabilidade de transformar seus pais, para que amem o desconhecido, para se aventurar de novo no jogo da vida. 

http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.es

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